sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PROJETO DIFUSÃO DA LITERATURA FEMININA POTIGUAR - ESCRITORAS POTIGUARES - V AMOSTRAGEM


CLÁUDIA SANTA ROSA


Cláudia Sueli Rodrigues Santa Rosa é norte-riograndense, nascida em Natal, no dia 09 de abril de 1971, mas naturalizada em João Câmara. Filha única, até os 10 anos, tem duas irmãs e teve na sua mãe e avó materna as suas principais referências de valores e dignidade. De família muito simples e vivendo no interior, desde os 7 anos estudou em escolas públicas, municipais e estaduais e em 1988 concluiu o Curso de Magistério, o ensino médio profissionalizante. Já em 1989 fez concurso público para o magistério da rede estadual, assumindo as suas atividades docentes em fevereiro de 1990, numa das escolas que havia estudado. Dois meses depois casou-se com Hélio de Menezes Santa Rosa, transferindo-se para o Município de São Rafael/RN, cidade em que permaneceram por quase 1 ano, passando a residir, definitivamente, em Natal. De 1991 a 1997 trabalhou na Escola Estadual João Tibúrcio, no bairro do Alecrim, instituição que lhe serviu de laboratório para fecundas experiências na área de educação, considerando que em 1995 licenciou-se para o magistério das séries iniciais quando atuava em sala de aula. Em 1996 ajudou a fundar a Cooperativa de Professores do Rio Grande do Norte e a Escola Freinet, dirigindo esta última durante os seus quatro primeiros anos. Apaixonada pelos estudos e focada na sua qualificação profissional, em 1999 concluiu a Pós-graduação em Psicopedagogia, na primeira turma da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Foi também pela mesma Universidade que concluiu, em 2004, o Mestrado em Educação, com uma dissertação a partir dos seus estudos sobre a pedagogia Freinet nos anos finais do ensino fundamental. Em 2004 iniciou o Doutoramento em Educação, realizando estágio de seis meses na Universidade do Porto – Portugal e a pesquisa na Escola da Ponte, instituição pública daquele país. Em abril de 2008 defendeu a sua tese de doutorado, recebendo conceito máximo e indicação para que o texto seja publicado.
São objetos principais das suas pesquisas e reflexões, os pressupostos teóricos das escolas democráticas e as práticas pedagógicas emancipatórias que atendem ao projeto político-pedagógico de construção da escola pública de qualidade social, a escola de todos (as). Cláudia Santa Rosa, como é mais conhecida, foi uma das fundadoras da Associação Brasileira para Divulgação, Estudos e Pesquisas da Pedagogia Freinet – ABDEPP/Freinet, onde assumiu a Diretoria de Projetos (2000-2003) e a Coordenação Nacional (2003-2005), instituição vinculada a Federação Internacional dos Movimentos de Escola Moderna – FIMEM. Atualmente coordena projetos desenvolvidos em escolas públicas, através do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), organização não-governamental que é uma das associadas fundadoras; mantém as suas atividades na rede pública estadual, presta consultorias e assessorias pedagógicas para instituições particulares, governamentais e não-governamentais, além de realizar, em todo país, palestras cursos e oficinas pedagógicas voltadas para a formação continuada dos profissionais da educação.
As suas idéias podem ser conferidas em uma série de artigos publicados em jornais, revistas, capítulos de livros e no blog que mantém na internet. Os seus posicionamentos sobre educação tem sido fonte para inúmeras matérias publicadas em jornais, revistas e telejornais.






Uma praga na gestão pública.

Cláudia Santa Rosa

(Texto publicado na edição do dia 17 de julho de 2008, p. 02 - jornal "Diário de Natal").



Sempre fiquei a me perguntar sobre a real necessidade de tantos cargos em comissão, encharcando a máquina pública, especialmente por serem transitórios e por vezes extemporâneos. Apesar dos governantes serem escolhidos pelo voto direto, causa indignação saber que esses cargos são remunerados pela população e acompanhar a forma grotesca como são criados, negociados, rateados e até extinguidos, sugerindo se tratarem de propriedade da esfera privada dos gestores e concatenados com escolhas político-partidárias. Tanto é assim, que é comum se ouvir dizer: “eu estou ministro”, “eu estou secretário”, “eu estou coordenador”, “eu estou assessor”, “eu estou, eu não sou”; ou mesmo: “o cargo é do prefeito”, “o cargo é do ministro”, “o cargo é da governadora”, “o cargo é do presidente”, ou ainda: “estou nas mãos do meu líder e para onde me mandar estarei muito bem,” “a minha exoneração foi justificada por existir incompatibilidade política.”
É impressionante a quantidade de cargos em comissão que se extintos fossem, não alterariam em nada a qualidade da gestão, porque, geralmente, são cargos criados para amparar conveniências, nutrir paternalismos/clientelismos, massagear o ego e remunerar pretensos bajuladores. A verdade é que os efeitos nefastos desses cargos incidem sobre a baixa capacidade de sustentabilidade da gestão pública, considerando as descontinuidades abruptas e as alternâncias do poder.
O cargo em comissão parece ser mesmo uma praga, jogada pelos deuses do atraso e da submissão sobre a gestão da coisa pública. Explico: separando o joio do trigo, geralmente, sobra um caldo muito fraco para promover os impactos que se espera sejam decorrentes da atuação do especialista, do profissional capaz de tornar perenes as políticas públicas. Lamentavelmente, nos momentos de escolhas dos agraciados para os tais cargos, é comum postergar o conhecimento dos postulantes, a competência naquilo que será objeto da labuta diária, em nome de uma estranha versatilidade que os permitem transitar de um lugar para outro, de acordo com os interesses de quem os nomeiam.
A metáfora do time de futebol ou da equipe de basquete, entre outros, além de permitir a reflexão sobre a importância da percepção de conjunto que cada um deve ter, evidencia a proeminência do papel do especialista, da sua competência e profissionalismo para o sucesso de uma jogada, para a definição de uma partida e para que todos ganhem o campeonato. Os desajustes são quase sempre fatídicos, quando o gestor do time ou da equipe recorre ao critério da “versatilidade” e altera as posições dos seus jogadores, complicando-se, ainda mais, se a inconstância fica escancarada e corriqueira.
Alguns dirão, certamente, que os volúveis cargos estão protegidos pelo artigo 37 da Constituição Federal, o que é verdade. Entretanto, trata-se da mesma letra que dispõe sobre a aprovação em concurso público para “a investidura em cargo ou emprego público”
e sobre “as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo”. Retomo a idéia de sustentabilidade da gestão pública para defender o investimento do Estado no profissional de carreira, na sua permanente atualização, no tratamento digno que lhe deve ser creditado. Continuo a acreditar no servidor do quadro, aquele que é capaz de garantir a perenidade das políticas públicas, atuando no âmbito da função que ocupa, por pelo menos três décadas.
É plausível, pois, que cada governante escolha os seus auxiliares mais diretos: ministros e/ou secretários, mas é inadmissível que, inexplicavelmente, o Estado continue a alimentar um formato ultrapassado: o da cadeia de ocupantes de cargos temporários, compondo diversos “escalões”. Assim, questiono-me: O que será que impede o Estado brasileiro de investir em seus valores e a esfera pública em seus próprios servidores? Os países que mais crescem e exportam tecnologia para o mundo têm nos ensinado que é preciso manter os melhores quadros, produzindo em seus territórios. Aqui, na terra de Poti e em algures, contraditoriamente, há servidores que são excelentes profissionais nas equipes de empreendimentos privados, enquanto na gestão pública, salvo exceções, resta-lhes o papel de coadjuvantes de patéticas trapalhadas de quem é muito “versátil” ou de quem não sobrevive sem as delícias do poder, ainda que efêmero.






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Lúcia Helena Pereira




Lúcia Helena Pereira, Nasceu em Ceará - Mirim / RN . Cursou o primário e o ginasial no Instituto Maria Auxiliadora (das irmãs salesianas). Cursou o primeiro pedagógico no CIC - Colégio Imaculada Conceição e mais dois anos no Instituto Presidente Kennedy. Fez Licenciatura Plena em História / UFRN - 1974. Estudou o Curso Prático de Francês pela Aliança Francesa de Natal - 1960 a 1964. Escritora, Membro efetivo da AJEB - Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, onde exerceu, com sua eleição para a primeira Presidenta do RN 1990 a 1997 e primeira presidenta Nacional 1998 a 2000. Membro da Academia Feminina de Letras do RN - março de 2002. Membro de IHGRN - Instituto Histórico e Geográfico/ RN, eleita em novembro de 2004. Cônsul Poetas del Mundo de Ceará Mirim - Movimento com Sede em Santiago no Chile. Membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins- RN. Autora de 'Pássaro Azul de Asas Cor - de - Rosas' 1982 (poemas), Partípe da Breve Coletânea de Juvenal Antunes (1998), integrante de Antologias Nacionais e Regionais. Livros no PRELO: JUVENAL ANTUNES: sua vida, suas obras, seu grande amor e sua morte; Palcos da Infância; As Divinas Cartas.








ESTRELAS


Quero estrelas brancas em meu véu azul
Para entrar no céu,
como um anjo iluminado
Que se embeleza nas nuvens!
Quero estrelas douradas em meu véu de luz,
Como noiva num deserto,
coberto de sol e imensidão,
Buscando oásis,
palmeiras e um lindo corcel negro.
Quero estrelas banhadas em meus rios luminosos,
Rios de minha infância distante,
Como o rio d´água azul da minha terra!
Quero estrelas de esmeraldas em meu véu-canavial,
Para enfeitar o verdejante vale onde nasci,
Entre engenhos, riachos e olheiros!!!
Quero estrelas feitas só de sonhos para o meu poema.
Que elas brilhem sobre as pequeninas palavras
E possam salvar a parte do universo triste e infeliz!!!
Quero estrelas!
Lindas estrelas!
Brilhantes, fulgurantes,
Apenas estrelas...solitárias
ou em cortejos de luz,
Engrinaldando a coroa de luz dos meus olhos!









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Bianca Morelles Barros Cunha



Bianca nasceu e cresceu no sítio Riacho do Meio, município de Santana do Matos RN, atualmente está morando em Angicos. É filha de Manoel Barros da Cunha e Francisca Leda de Macedo. Tem duas irmãs, Tula e Linete e uma sobrinha querida, a Andréa. É casada com José Arnaud da Cunha. Cursou o Ensino Médio, gosta da natureza, em especial de gatos. Gosta também de assistir filmes, ler e escrever versos, tem um livro prontinho para ser editado. Hoje com 42 anos é muito alegre, criativa e participativa, é portanto uma poeta muito feliz.






Renovação

O chuvisco molha o chão
Depois vem o sol ardente
Esquenta a terra molhada
Faz eclodir a semente

A semente vira flor
Da flor vem a fruta linda
Da fruta a semente sai
A vida nunca termina

Mas se não fosse a chuva
Nada disto existiria
Não tinha vida na terra
Não tinha tanta alegria





Um comentário:

GRAÇA GRAÚNA disse...

Projeto assim, devem merecer toda atenção possivel, porque ainda é pequeno o número de mulheres que se atrevem a escrever neste país. Saudações potiguares, Graça Graúna